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SANTOS
PADROEIROS
Festa de São Brás
» 3 de Fevereiro na Capela de S. Brás
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Festa da Nossa Senhora
da Piedade » 15 dias após a Páscoa na Capela de S. Brás
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Festa de Santa Joana »
1º domingo a seguir ao
12 de Maio na Igreja Matriz de Santa Joana
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Festa de São Romão
» 6 de Agosto na Capela de São Romão
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Festa de São Geraldo
» 3 de Outubro na Capela de S. Geraldo
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Festa de São Brás
A capela de São Brás,
intervencionada, pela derradeira vez, em 1997,
ano em que foi ampliada, sofreu profundas remodelações na
década de 60, século XX, as quais incluíram a construção da segunda
torre sineira, que se ergue do lado esquerdo.
Datada dos meados ou finais
do século XVII, segundo imprecisas e escassas referências, esta ermida
ergue-se, hoje, imponentemente na Quinta do Gato, convivendo lado a lado
com a rua que absorveu o nome do orago.
Com efeito, dentre as
restantes capelas, esta destaca-se quer pelas suas superiores dimensões
quer pelo ar igrejeiro que ostenta.
Guarnecida
interiormente de azulejos em tons de azul, estes apenas se vislumbram,
exteriormente, na fachada principal. As paredes laterais e a traseira
encontram-se caiadas de branco. A cor amarelo-torrado delineia cada
aresta exterior do edifício, dando relevo às linhas rectas que o moldam,
assim como aos geométricos contornos das janelas e portas externas. No
alto, albergados por uma das duas torres sineiras que se erguem em cada
um dos lados da entrada principal, estão os sinos, prontos a espalhar o
som festivo pela comunidade.
Dentro da
capela, um sublime arco imitando uma ogiva angular de estilo
românico-gótico separa a capela-mor da assembleia.
Quem entra
pela porta principal, os olhos recaem de imediato sobre um crucifixo em
tamanho grande que ocupa a parte central da parede, acompanhado por uma
imagem do Sagrado Coração de Maria. A pedra do altar-mor, em formado
rectangular, protegida por imaculadas toalhas, complementa este espaço
sacro. O presbitério dá ainda passagem, pelo seu lado esquerdo, para
duas dependências: um espaço onde a população pode assistir à cerimónia
e a sacristia, onde são cuidadosamente guardados paramentos
antiquíssimos.
Já no corpo
principal do templo, dois nichos colaterais acolhem as imagens de São
Brás e de Nossa Senhora da Piedade, os dois santos que, em datas
diferentes, o primeiro no dia 3 de Fevereiro, ou no primeiro domingo do
mês, e o segundo cerca de duas semanas após a Páscoa, chamam até si os
devotos.
Sendo São Brás
o milagreiro das moléstias de garganta, mantém-se a tradição de lhe
ofertar diversas peças em cera, ou simplesmente dádivas em dinheiro, a
fim de agradecer as graças prestadas ou pedir pela sua intercessão.
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Festa de Santa Joana
A estes
edifícios religiosos de outras épocas, de outros gostos, opõe-se a
construção, em moldes modernos, da emblemática igreja matriz, inspirada
“nas antigas basílicas bizantinas, tanto pela grandeza do espaço
interior aberto, como pela configuração externa dos anexos e ainda pelo
movimento dos telhados em forma ogival, que se entrelaçam e combinam
harmoniosamente uns com os outros”.
Dedicada à
padroeira da freguesia, Santa Joana, este edifício, mais do que um valor
patrimonial, arrebata um particular sentir, dada a sua importância na
história da criação da freguesia.
De facto, na
génese da união de uma comunidade, até então dispersa por freguesias
limítrofes, encontra-se cada pedra que lhe dá forma. Foi sob a égide de
Santa Joana que povos de origem diversa delinearam uma vontade e a
transformaram num contemporâneo espaço sagrado.
Projectada
pelo conceituado arquitecto portuense, Luís Cunha, e construída de raiz
entre 1972 e 1976, a igreja matriz respira, também esteticamente, a vida
de Santa Joana.
Nos tímpanos da fachada
principal, encontramos, esculpidas na massa de cimento, duas imagens que
aludem de forma inequívoca a dois momentos cruciais da vida da princesa:
a sua tomada de hábito e o fim da sua vida. O primeiro, reproduzido no
tímpano da esquerda, retrata uma comovente cena
que se reveste de particular significado, uma vez que assinala a sua
renúncia ao mundo principesco, para se entregar a um reino superior: à
paixão de Cristo. O relevo dado à tesoura é propositado, simbolizando a
mesma o corte com o mundo terreno. O tímpano da direita retrata o pesar
da sua morte, manifestado pelo murchar e desfolhar das árvores e flores.
Um acontecimento arrepiante, em que a própria natureza quis dar provas
da sua dor.
Entre estas duas cenas,
surge no centro da fachada a figura central de Cristo, “o Senhor do
Universo”,
circundado, do lado esquerdo, por uma Mão e, do lado direito, por uma
Pomba. Os três elementos a simbolizarem a Santíssima Trindade.
Ainda na parte
frontal da igreja matriz, ergue-se, ligeiramente posposta, uma esbelta
torre sineira.
No interior, o “espaço
sagrado tem na parede do fundo, à direita de quem entra, um grande
vitral, em forma de rosácea, de vidros policromados, a iluminar o
sacrário, que lhe fica defronte; do lado esquerdo há mais cinco pequenas
rosáceas, dispostas em forma de cruz gregal. Os vidros policromados não
só não ferem a vista como quebram a austeridade da larga parede de fundo
cujo único tratamento foi o assim chamado “chapisco de côdea”.
Uma vez dentro
do templo, um políptico, na parede do fundo, alude novamente a Santa
Joana. Ao seu mais célebre retrato, colocado no centro, circundam-no
outras cenas da sua vida, para além das duas supramencionadas.
Uma delas foca
o sonho tido por Santa Joana, através do qual soube que um seu
pretendente, Ricardo III de Inglaterra, acabava de morrer numa batalha.
“O painel que temos diante dos olhos refere-se ao diálogo entre os dois
irmãos qual deles o mais
tenaz na sua própria decisão. O sonho da Santa Princesa é representado
em ponteado pela figura de um cavaleiro a cair abaixo da sua montada.”
A ria surge no
painel de cima, à direita, representando a sua infestação, no século XV,
pelas epidemias, mormente a peste, esta ilustrada por umas terríveis
garras. Por várias vezes, Santa Joana teve de abandonar Aveiro a mando
do pai e dirigir-se para locais saudáveis, contra a sua vontade.
Por último,
este políptico retrata ainda a devoção da princesa à paixão de Cristo.
As duas mãos a segurar a coroa de espinhos encerram em si toda a
grandeza de sentimento desta santa mulher. “A coroa de espinhos era
suficiente para evocar todo o drama da Paixão e lembrar aos devotos e
admiradores da Santa Princesa que foi em troca desta coroa de espinhos
que ela pôs de parte o seu diadema real”.
Todo este
cenário que pretende relembrar a cada um dos presentes este
extraordinário exemplo de humildade e de completo desapego aos bens
materiais em prol de um amor mais puro só ficou completo quando a
comunidade de Santa Joana pode acolher a estátua da princesa. Depois de
ter permanecido durante vários anos junto ao Museu de Aveiro, e na
sequência da realização de obras de requalificação urbanística na mesma
zona, a imagem da santa princesa foi transferida para a freguesia que a
recebe como padroeira.
A cerimónia de
inauguração da imagem ocorreu no dia 4 de Novembro de 2001. Depois da
missa dominical e de uma oração a Santa Joana, escrita pelo antigo bispo
de Aveiro, D. João Evangelista Lima Vidal, o largo fronteiro à casa
edificada em seu nome explodiu de alegria aquando do emblemático acto de
descerramento. Além de símbolo vivo no coração da comunidade de Santa
Joana, tornava-se agora presença corpórea, passível de ser contemplado
cada traço do rosto, pronto a ouvir o desabafo íntimo de cada um e a
reconfortá-lo com o seu olhar transparente.
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Festa de São Romão
Voltemo-nos agora para a
capela de São Romão. Além de dimensões mais reduzidas do que as
anteriores, esta exibe uma arquitectura mais pobre, mas de singular
beleza artística.
O seu interior
acolhe um pequeno altar do lado direito do qual se encontra o coro, onde
se entoam os cânticos dedicados ao santo. Estrategicamente dispostas por
trás do altar-mor e também na parte posterior deste, encontram-se as
imagens de Nossa Senhora de Fátima, de Santo António e de São Romão.
Esta capela, apesar de
confinar com a estrada, orla-a um pátio que, refrescado de Verão pela
sombras de algumas árvores, oferece à população um pacato espaço de
lazer. Este recanto é sabiamente aproveitado nos dias
de festividade em honra do santo invocado como protector dos cães,
onde ainda se degusta a merenda trazida de casa.
A festa de São
Romão era, aliás, conhecida como a das merendas. Todavia, já lá vão os
tempos em que a tradição mandava que as pessoas trouxessem o seu farnel
e que, espalhados pelo pinhal que confrontava com a referida capela, o
saboreassem, partilhando-o com conhecidos e desconhecidos.
O programa
repete-se em cada festividade. Cumpre-se a parte religiosa, na qual se
celebra a missa, se faz a oração da tarde e se cumprem promessas, e o
resto do dia é dedicado ao convívio, no qual marca presença a
indispensável música popular e as barracas, onde são vendidos deliciosos
doces e os brinquedos que cativam os mais pequenos. Como não há festa
que se preze sem fogo de artifício, não são esquecidos os estridentes
foguetes, encarregados de testemunhar o ambiente festivo que se vive.
Estes pedaços
de vida patrimonial continuam, com efeito, a ser um dos poucos locais de
encontro onde a tradição se foi mantendo ao longo dos tempos. Ainda que
o tradicional espírito festivo se tenha desvanecido, pois, hoje, já não
se aguarda com a expectativa de outrora a chegada do dia da festa, a
devoção permanece intacta, arrastando sempre um considerável número de
devotos.
Nos dias de
hoje, estes espaços de culto religioso funcionam também como capelas
funerárias, servindo a população dos respectivos lugares.
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Festa de São
Geraldo
Segundo os parcos registos,
subjacente à construção da Capela de São Geraldo, Arcebispo de Braga,
esteve a arreigada devoção que Francisco Costa e sua esposa, Teresa de
Jesus, tinham por este santo, “a quem chamavam São Geraldinho”.
A longa
caminhada que tinham de percorrer para cumprir as suas promessas e
venerar o santo que lhes alimentava a alma impeliu-os a mandar erigir,
na sua propriedade, um pequeno templo para aí realizarem os seus actos
cultuais.
Lá, no primeiro domingo do
mês de Outubro, data que se manteve até aos dias de hoje, realizava-se
uma pequena festa em honra de São Geraldo, segundo a tradição, protector
das crianças e das doenças mentais,
à qual rumava um significativo número de peregrinos.
Porém, dada a
exiguidade do espaço, tornava-se impossível a celebração de uma missa,
apenas se “cantava uma ladainha e se rezavam algumas orações.
[Sempre
que havia sermão, pregava-se]
num improvisado púlpito, colocado à entrada da capela”.
A fragilidade
dos alicerces deste pequeno templo não demoraria a dar provas da sua
robustez decadente. Em 1882, encontrando-se num estado de iminente
desmoronamento, um filho do casal, Padre Francisco da Costa Júnior,
coadjuvado pelos seus irmãos, mandou reconstruir a ermida, dotando-a de
maiores dimensões.
Esta foi uma
das reformas à qual foi submetida a primitiva capela. Ignora-se se
outras, entretanto, lhe sucederam.
Hoje, e depois
da última intervenção datada de 1999,
cujas obras foram custeadas por fundos conseguidos graças à cooperação
dos habitantes de Santa Joana, que não hesitaram em organizar os mais
diversos eventos para tal, a capela de São Geraldo, sita no lugar da
Presa, apresenta-se totalmente remodelada. Revestida, interior e
exteriormente, por azulejos típicos da região de Aveiro, pintados em
tons de azul, dão-lhe forma linhas rectas, harmoniosamente conjugadas
com pequenas aberturas frontais e laterais que terminam num arco ogival
de estilo românico, assim como a porta principal.
Do seu lado
direito, ergue-se uma torre rectangular com uma abertura em cada um dos
lados que segue as linhas da entrada principal, deixando a descoberto
os altivos sinos.
No seu
interior, encontramos a capela-mor, ornada em talha dourada e em azul,
que sustenta a imagem do Menino Jesus de Praga, o Sagrado Coração de
Jesus, a Nossa Senhora da Piedade e São Geraldo, “com as suas vestes
prelaticias, mitra na cabeça, livro aberto na mão esquerda e cruz
arquiepiscopal na mão direita”. Este retrato exibe-o a fachada
principal, pintado em azulejos, tendo por baixo um letreiro com o
seguinte dizer: “Oferecido com a ajuda do povo deste lugar e a Comissão
de Festas, em 1954”.
Na parte da
assembleia, e a poucos passos do altar, erguem-se dois nichos, um de
cada lado, que ostentam a imagem de Nossa Senhora de Fátima e de Santo
António. A dar cor a este singular quadro sagrado estão as jarras de
flores multicolores, habilmente dispostas. No fundo, e a pouca distância
do tecto, eleva-se o coro.
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