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património religioso
O antigo e o moderno
coabitam harmoniosamente na jovem freguesia de Santa Joana, apesar de
serem diferentes as épocas que os conceberam. Ambos são testemunhos
vivos de um passado comum que importa conservar, salvaguardar e
valorizar, sob pena das nossas raízes mais cristalinas se perderem no
silencioso desfilar dos tempos.
Os elementos patrimoniais
aqui existentes, ainda que escassos, guardam religiosamente valores,
usos e costumes de uma época que, apesar de distante, convive
diariamente com o Homem, enriquecendo-o enquanto cidadão pertencente a
uma comunidade com um passado próprio e, como tal, com uma identidade a
resguardar.
Dentre os edifícios com
especial valor histórico, os religiosos são aqueles que detêm a primazia
nesta freguesia periférica da cidade de Aveiro. De pequena envergadura,
tal como lhes é característico, a capela de São Geraldo, a capela de São
Romão e a capela de São Brás continuam a ser local de encontro anual,
mantendo viva a saudável tradição de reunir pessoas vindas de diferentes
locais para, em dia de festa, venerarem o seu santo predilecto.
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| Capela
de S. Geraldo |
Capela
de S. Romão |
Capela
de S. Brás |
O programa repete-se em cada
festividade. Cumpre-se a parte religiosa, na qual se celebra a missa, se
faz a oração da tarde e se satisfazem promessas; o resto do dia é
dedicado ao convívio e arraial.
Estes pedaços de vida
patrimonial continuam, com efeito, a ser um dos poucos locais de
encontro onde a tradição se foi mantendo ao longo dos tempos. Ainda que
o tradicional espírito festivo se tenha desvanecido, pois, hoje, já não
se aguarda com a expectativa de outrora a chegada do dia da festa, a
devoção permanece intacta, arrastando sempre um considerável número de
devotos.
Actualmente, e enquanto
aguardam a chegada da festividade anual, estes espaços de culto
religioso funcionam também como capelas funerárias, servindo a população
dos respectivos lugares.
A estes edifícios religiosos
de outras épocas, de outros gostos, opõe-se a construção, em moldes
modernos, da emblemática igreja matriz, inspirada “nas antigas basílicas
bizantinas, tanto pela grandeza do espaço interior aberto, como pela
configuração externa dos anexos e ainda pelo movimento dos telhados em
forma ogival, que se entrelaçam e combinam harmoniosamente uns com os
outros”.
Dedicado à Padroeira da
freguesia, este edifício, mais do que um valor patrimonial, arrebata um
particular sentir, dada a sua importância na história da criação da
freguesia.
Projectada pelo conceituado
arquitecto portuense, Luís Cunha, e construída de raiz nos anos de
1972-1976, a igreja matriz respira, também esteticamente, a vida de
Santa Joana.
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Igreja Matriz de Santa Joana |
De facto, na génese da união
de uma comunidade, até então dispersa por freguesias limítrofes,
encontra-se cada pedra e cada tijolo que lhe dão forma. Foi sob a égide
de Santa Joana que povos provenientes de lugares diversos delinearam uma
vontade e a transformaram num espaço sagrado.
Porém, todo o cenário que
ilustra a vida virtuosa da excelsa Beata só ficou completo, quando a
comunidade de Santa Joana pôde acolher a estátua da Princesa. Depois de
ter permanecido durante vários anos junto ao Museu de Aveiro, e na
sequência da realização de obras de requalificação urbanística na mesma
zona, a imagem da Santa Princesa foi transferida para a freguesia que a
recebeu como Padroeira.
A cerimónia da trasladação e
da inauguração da imagem ocorreu no dia 4 de Novembro de 2001. Depois da
missa dominical e de uma oração a Santa Joana, escrita pelo antigo bispo
de Aveiro, D. João Evangelista Lima Vidal, o largo fronteiro à casa
edificada em seu nome explodiu de alegria, aquando do emblemático acto
de descerramento. Além de símbolo vivo no coração da comunidade de Santa
Joana, tornava-se agora presença corpórea, passível de ser contemplado
cada traço do seu rosto, pronto a ouvir o desabafo íntimo de cada um e a
reconfortá-lo com o seu olhar transparente.
Azenha
Situada na Quinta do Torto,
esta rústica casa de trabalho outrora ao serviço do moleiro denuncia a
magia de velhos actos que importa não perder nesta correria desenfreada
em direcção ao progresso, sob pena de se ir apagando a história e a
identidade genuína de um povo.
São estes vestígios que
continuam, no presente, a dar vida a um passado indelével.
Fontes e tanques
Para além de imóveis de
cariz religioso, a freguesia de Santa Joana conserva outros bens
patrimoniais, que também eles são dignos de nota.
As fontes da Quinta do
Torto, da Rua da Fonte, da Rua de S. Brás e da Azenha atestam
hoje a passagem dos tempos, quer pela sua altivez decadente, quer pelo
silêncio que as isola.
Os tanques irmãmente
instalados nos braços das fontes, oferecem ainda hoje, um recôndito
local procurado por muitos, para darem continuidade à tradição que
envolve a limpeza e tratamento das vestes.
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